escolho a guerra

agora escolhe as tuas guerras,
vencidos pelo cansaço apesar dos números
condenados ao exílio apesar ambição

sente que nada nos poderá salvar
agora de errar na noite futura
chamas nas estradas negras
ao longo das ruínas dos países
estendes uma mão em silêncio
enquanto mudo o rádio para fugir à loucura

o celeiro na beira da colina
assombra-nos com as portas vermelhas
e o precipício onde os anjos repousaram
sentenciados ao eterno labirinto da sedução
amantes colidem sorrateiramente no estacionamento
reinventando o jogo
espalham os fluídos pela pureza das famílias
mas eu não desisto
ouve as minhas palavras

hordas de adoradores enfeitiçadas
pelo ecrã que governa o íntimo dos nossos actos
alguém se lembra ainda do passado?
alguém se importa ainda com o presente?
apenas mais um espectáculo
onde se confunde o actor com o aplauso
há quem reze pelo fim
há quem se imole em sacrifício a desconhecidos
mas há sempre um homem à boleia
em busca de novas oportunidades
nova vida nova mulher
um futuro estéril e desolado
e nós, porque ainda estamos aqui?
acompanha-me até à periferia onde a verdade se revela
e talvez a nossa alma renasça na combustão

escolhe bem as tuas guerras
já não temos a ira dos jovens
a união das classes
ou o ópio da religião

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