sacrifício

espero ainda na calma do quarto
ocasionalmente varrido pela luz
partiste para o desconhecido e a cidade emudeceu
como uma desesperada legião de canibais
perante a perda da rainha

desço até à cabine sob a égide
da moderna loucura pela vitória
a metrópole como tentáculos maquinais
dissolvendo a alma em electricidade
lâmina que acaricia nossas gargantas
e quem consegue resistir a tal amor?

sustendo a respiração por algum ídolo
incenso mirra e sândalo
esta é a nova cruzada
ainda a mesma cruzada
saboreando infelicidade nos trajos andrajosos
nos cabelos desalinhados e sujos
ostento traição como um troféu
enquanto alguns devotos choram ausência e solidão

homicídios ao longo das estradas nacionais
banhadas pelo intermitente azul das sirenes
estamos vivos por isso celebremos
degustando a morte dos estranhos
contemplando o futuro sob o firmamento
farejar o sangue sobre o asfalto
acariciemos os órgãos expostos
aplaudamos a carne putrefacta
nada diz vida como um pequeno flirt com o fim
e mais tarde, depois de tudo esquecido
deleitarmo-nos na pequenez da ordenação

quem falará primeiro numa manhã de domingo?
tragédias nas páginas dos jornais
e nós tentando controlar o mundo
pela palavra

na frio exílio cru e nocturno
quem é bravo o suficiente
para sacrificar a pele aos seus demónios?

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