então o deserto

subjugados pelas trevas
faróis flutuam entre o denso fumo
calçada reluzente
solidão gritante nos passos
jovens oferecem-se exibindo a carne
promovem o desejo desenfreado de fraqueza
casas antigas ameaçam ruir com a memória
tenho a certeza de que encontraríamos a excelência se fossemos até ao fundo

aprender a verdadeira arte do amor na obscuridade
sonhos de possessão no deleite feminino
odor adocicado de perfume barato que enche o peito de apetite
as forças da natureza incentivam corpos experimentados
monumento à ira dos deuses

avenidas surpreendentemente povoadas
o couro reluzindo pela iluminação pública
fachadas alegremente preenchidas
por sugestões de psicótica nudez
e toda uma cultura de repressão
afundando-se nos sensuais gestos e gemidos da luxúria

cigarros acesos como ameaças
lançam potentes interrogações
na direcção dos tementes operários e executivos que
observam o espectáculo com falso desinteresse
a pele curtida e dura grita por ser dominada
como o arcanjo que se dilacera pelo comandante supremo

portais surgem nos becos sujos e negros
camas mergulhadas na sombra
mofo para acolher a celebração
uma onda de êxtase penetra os ventres que incham de sangue e ruína

a cavalgada cresce alonga-se e transforma-se finalmente em crepúsculo
e o climax surge no acto breve de violência espontânea

depois o abandono e então sim

o deserto

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