jugular

na hora moribunda da madrugada o sol revelar-se-á para o mundo novo
despertamos insatisfeitos ainda com tanto para conquistar
nada voltará a ter este sabor novamente

o ar frio sacode-nos ainda da noite passada
foi destruído o império do sonho, mas como?
derrubando a fantasia pela a cruel espada da realidade,
esquece-te da tua casa do teu quarto apertado
vamos!

acende-se um cigarro quando os tímidos raios de sol levitam
um cacho de cabelo ondulando na brisa
e eis que os operários e as famílias furtam breves segundos à marcha totalitária do relógio
para sacrificá-los à fuga-cidade dos sentidos:
“sabem que sois mais do que este corpo”

queremos as promessas de alegria concretizadas
queremos o vaticínio do prazer atingido
caiam os monarcas que nos contemplam das torres de marfim
sucumbam os generais do asfalto que nos guiam para o lento cadafalso

há uma ideia a pulsar nestas frágeis veias
tornámo-nos estranhos distantes da beleza
desfilando ordenadamente em volta dos modernos monumentos
tantos dias perdidos no labirinto do desejo
recordem as profecias dos indigentes
se o corpo dói é porque vives
abraça a mágoa que traz consigo a pureza
renega os velhos deuses sanguinários e vingativos
não temamos preço nenhum-pagá-lo-emos seja qual for

haverá amanhã outro momento assim?
alguns de nós poderão não sobreviver para o celebrar
então é chegado o momento de nos apoderarmos do destino pela jugular
extorquindo-lhe todo o âmago da existência
bebamos juntos do cálice da vitória
para que o sacrifício dos antepassados não tenha sido em vão

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