que morram todos

o tempo reclama-nos e virá por nós
não há já quem nos possa salvar
destruímos o corpo no caos do toque e dos beijos
mutilando-nos um ao outro na ignorância

alguém grita em deleite na imortalidade da noite
hoje seremos os Mestres Do Sono
colo-me à esperança do desejo
em mais uma viagem pelo inferno
encontramos falsa segurança nos gárgulas
desconhecidos devoram-nos com os olhos
nas ruas que se tornaram perigosas quando as abandonaste

terminem o silêncio e com ele o significado
brota das bocas livres a irracionalidade da natureza
como ervas daninhas como menstruação
não nos amemos mais emparedados nas trevas
soltem a besta
deixem-na caminhar livre e pura
passar a mão pelos seus cabelos de anjo em contraluz

nas caves concentram-se as guerrilhas
congeminando a falência das estruturas
latejam as veias em excitação
que se experimente a fome e a guerra
não seremos mais crianças, mas homens calejados pelo sacrifício da conquista

quando o relógio da torre bate as horas
poderia haver uma explosão

QUE MORRAM TODOS! deus saberá reconhecer os seus

o fim é apenas o momento mais doce alguma vez saboreado
rompemos pela ténue matéria em espasmos até ao firmamento
iluminaremos então as fronteiras da carne

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s