no olho da tempestade

libertamo-nos da roupa dançando ao longo da estrada brutal
infectada de visões do sangue no passado
sapos coaxam ferindo o silêncio da noite
o homem no corredor do hospital tosse
ecoando nos frios corredores

eis que o neon rasga as trevas como a redenção
incendeia-se a vida

uma rapariga observa da varanda
cabelo a contraluz lábios brilhantes e peito descoberto
movimento na avenida
carros aceleram até à beira da desintegração
quando um desconhecido acende um cigarro
iluminando a sua face endurecida

como uma velha amante
a cidade seduz-nos
sonhamos que ela nos possui
e a neblina galga o mar
desaparecendo para além das montanhas
quem emprenhou as gigantescas estruturas
forjou o metal e trabalhou o vidro?

é a tua suavidade que atiça a selvajaria do mundo
combustível da crueldade
entretanto a loucura propaga-se nas mãos dos solitários
que se tocam, ensandecendo
será por já não reconhecermos a inércia?

FICA!

em breve tudo cessará
a tempestade será engolida pela calma
retornaremos então ao primitivo mundo
ao misticismo que explica a mecânica de todas as coisas
aprenderemos a gratidão
acolhendo a perfeição no incêndio dos arautos da decadência

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