para esquecer o amanhã

arda o passado para esquecer o amanhã

morremos na vasta podridão da cidade anónima
esquecendo o corpo nas trevas do inverno
contemplando pausadamente o poder encerrado nas figuras mágicas
num movimento em direcção ao desejo
carne cresceeeeeeeeeeente
movimento es-tá-ti-co

embarcamos na excursão amnésica para esquecer o amanhã
salvação na embriaguez
crianças que pintam as paredes com o sangue da esperança
excesso na noite
o trato frio dos ausentes rouba-nos o sono
deixando-nos entregues ao sono e à miséria
sem direcção
na floresta negra assombrados pela solidão sem memória
sacrificamos os irmãos e as mulheres

antigas famílias ardendo nas suas mansões seculares
animais presos no estábulo envoltos na cortina de fumo
colheitas transformadas em cinza
o oceano persegue-nos
procura engolir-nos para esquecer o amanhã

hipnótico silêncio das musas
e os guerreiros sorridentes
encontram-se no homicídio
enquanto líderes corrompem-se nas salas douradas
os esquecidos apanham beatas com os dedos negros
protegendo as suas magras posses

oh putas! provoquem-nos e amem-nos nas vossas mini-saias de cabedal
que os lobos uivam cercando-nos já moribundos
para esquecer o amanhã
o homem que ama teme ser aprisionado
sucumbe à matéria

não queremos salvação
queremos transportar a história para além dos limites
para esquecer o amanhã

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