sejamos sanguinários

que a tarde termine
assim os corpos fiquem mais leves
e as pequenas criaturas invadam a ilusão da serenidade

que a noite comece
para o tédio dar lugar à nudez
sofrer pelo nosso entusiasmo
lento reencontro dos companheiros de trincheira
tempo finalmente recuperado em palavras sem direcção
toque sem objectivo
e o suave calor do teu bafo na minha pele
gentil tilintar dos copos & enrolar + um cigarro
como se fosse uma lenta marcha

quando conseguiremos esquecer que isto tem um fim?

a luz inextinguível encontramo-la nas trevas
com breves resquícios de imortalidade todos se amam
fecunda liberdade da escravidão
nem o cansaço nos parará agora!

não temas o passo seguinte
não temas a fome
não temas o poder
somos o farol da cidade
e queremos sempre mais
sem conseguir morrer,
não temas o amanhã
sempre o conseguimos derrotar
não temas a brutal conquista dos minutos
pois nem o próprio deus nos parará agora

que o alvorecer nunca nos alcance
sinto-o irromper no alucinante palpitar do peito
agora que entrámos no demente e nocturno espasmo
sejamos sanguinários!

espremer tempestuosamente este mundo por tudo o que tiver ainda para dar
e que ninguém saia sem levar tudo aquilo a que tem direito

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