o teu toque eléctrico

o poder do apetite impele-nos em direcção à ruína
homens destruídos ante a visão da carne
mulheres assassinas ante o sabor do poder
viemos só para te ver
-o teu toque eléctrico-
descobrir o teu segredo
-o teu toque eléctrico-
saborear o sal do teu suor
-o teu toque eléctrico-
tu por quem derrubaram ídolos
por ti devastaram continentes
tu que dividiste amantes seculares

frio e oco o som da lâmina
dedos que acariciam o pescoço
sempre o terror nocturno
todos na fila das vítimas
é isto a gória prometida?
alinham-se as bestas para os cumprimentos
enquanto as dançarinas possuídas agitam frenéticamente as ancas
numa vertiginosa sucessão de eventos

se há um guia neste labirinto que se mostre agora!
que nos ofereça a visão de tudo o que foi esquecido
para que nos banhemos neste antro de perdição
foi a loucura que nos acolheu
ou nós que a abraçámos primeiro?

sente-se a urgente promessa de fim no ar
-o teu toque eléctrico-
quando um só fio do teu cabelo roça o meu lábio
-o teu toque eléctrico-
se tudo terminar saberemos
ou continuaremos na mesma?
pelo menos afungentámos os mensageiros da falsa esperança
viste os subterrâneos?
prefiro o espaço entre a peste e a privação
aniquilamento que realiza todas as coisas
sacríficio que fazemos para sermos dignos
e que merecemos nós?

na parada de golems ansiosos por devoção aos mesmos demiurgos
milhões tornam-se shangri-la
é o sangue que concretiza cada momento
e nós que sangramos profusamente da mesma ferida
há eras infinitas

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