Um punhal entre os dentes

estilhaçada, a noite parida pelas ruas ou a gente abandonada
imutável mundo de destroços silenciosos
pessoas que oferecem os detritos ao vácuo
estáticos os objectos que limitam a nossa posição
enquanto que numa qualquer varanda o fumo se evade lentamente até se fundir com a chuva
alguém sonha derrotar o tempo enquanto o perde na garrafa semi-vazia em cima da mesa de metal iluminada cruamente pela fluorescência do inverno

algumas janelas são transparentes outras desenvolvem reflexos vazios
talvez tenham as fronteiras finalmente desvanecido
e suprimido esteja agora o cárcere da identidade
incessável a hipnose do ecrã no eterno mantra-de-sexo/morte/loucura/poder
homens matam em nome do desejo
homens morrem em nome do desejo
um disciplinado exércido das trevas que caminha pesadamente sobre o vermelho da terra moribunda
nada fica para trás, não há lugar para a descendência
nova ordem sob o jugo da dinastia de sempre
imperadores protegem generais que escudam yuppies assemblados nas couraças envidraçadas
a beleza manufacturada dos novos ídolos que mantém cada um no seu posto
o jogo prossegue mortalmente até ao sacrifício

que o coração seja apunhalado para que a realidade sangre e expurgue a doença

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s