Aqui nunca acontece nada

desta vez espero-te na oca luz da madrugada ascendente
como o suicídio nocturno da constelação conjunta
lembra-te da coragem dos navegadores perseguindo novos mundos
quando irá este tornar-se velho? e o que fará isso de nós?

a cidade desperta apenas para cair novamente na letargia
quando a nudez é invisivel e urgente no seu espaço
sou um dos seus raros sobreviventes,
esperas ter a quem dizer palavras diferentes
curandeiros e profetas-todos ardem nas chamas da nossa cruz
quem é agora o espectador e o que vê senão mortes sucessivas?
da infância da juventude do corpo dos minutos
e as que sucedem frenéticamente dia-após-dia

saio na vã busca de compreensão
olhos intoxicados na dimensão distorcida
assumindo obedientemente a posição no desfile de súbditos
imaginando paraísos na conformidade
AQUI NUNCA ACONTECE NADA
a não ser a mesma infindável promessa implícita
o grito de que nos esvaziamos enche de pânico as legiões
mas é a memória soterrada que impede a acção,
imparável é a engrenagem que nos subjuga
não há ainda coragem medo despero sede de vingança ou amor suficientes para matar

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