não há sacrifícios para quem nada tem

gloriosa a manhã irrompe com o chamamento do oceano oculto sob as pálpebras
– há tanto para ser feito hoje

o que procuramos no meio da neblina?
atracção cósmica que nasce da pele
espera algumas horas e as ruas serão invadidas de novo por uma falsa alegria
odiamos o movimento porque é oco
odiamos o passado porque é uma prisão
odiamos as casas porque são separações

onde está agora o falso deus que pariu esta pesada estrutura?
meras crianças à mercê dos elementos
não acreditarão no dilúvio quando chegar
homens sonham com o apocalipse sem o saber
-suprema libertação da cobardia-
queremos esquecer o mundo que ontem quisémos vencer
demasiado rápido demasiada juventude demasiado desejo

afastados da estrada do excesso longe do palácio da sabedoria
afogando-nos na incompreendida solidão
NÃO HÁ SACRIFÍCIOS PARA QUEM NADA TEM!
isolamento invadido pelo ofuscante brilho duma enganadora terra prometida
a redenção está no deserto
a redenção está no deserto
a redenção está no deserto
a redenção…está no deserto…

vai, parte agora
ou serás mais um que desistiu
o ventre tem de ser fértil antes de dar fruto
legião de escravos na lama da felicidade, saboriais a liberdade?
não é doce o seu sabor?
tanto como é amargo o da vitória
que vitória? sobre quem? a que custo?

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