o fim está iminente

agiganta-se a distância entre os corpos sem lugar para a morte ou solidão
cidade que adormece nos ruídos abafados, menos para os resistentes que reclamam as ruas:
– queria sobreviver ao tempo, não mais contar os minutos, não mais desejar os objectos

antes que te rendas ao momento já outro o sucede
e amanhã um novo imutável dia
em procuraremos ainda ferozmente a hà muito perdida magia das palavras e das ideias
– para quando revolta contra as coisas ocas?

insuflar vida às criaturas dormentes que diáriamente aceleram da origem ao objectivo
serei em breve apenas mais um dos profetas loucos anunciando apocalipses por um megafone
maldizendo um deus que não concluiu a sua tarefa, abandonando tudo por uma meretriz?
a verdade nunca nos trouxe nada senão mais mentiras
a mentira nunca trouxe nada senão a obsessão pela verdade
sobre isso falaremos quando voltares

tenho uma casa inteira onde sonhar e escutar o eco dos passos
ouvir o som do mundo clamando o regresso dos seus filhos tresmalhados da teia da ilusão

não há mais lugar para mestres e professores
porque em breve nada saberemos
nada temeremos
nada teremos
nada quereremos
em breve
nada

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