diário da vida na terra da morte

o crepúsculo lento para os solitários caminhantes
que erram pelos passeios inacabados
a modernidade? um mito para os infieis
sentes agora a falta do bem mais precioso:O TEMPO?

respiras lentamente
porque somos apaziguados com imagens
marchando obediente
para receber o quê?

sei que já perdemos tanto
mas não perdemos tudo
tantas vezes os nossos olhos fecham
nos quartos onde nos encolhemos
julgando encontrar a protecção nos braços
onde julgáramos encontrar refúgio
líquidos são os espíritos que percorrem fantasmagóricamente a distância que os separa da verdade

é para o desfiladeiro que nos dirigimos
cintilando mágicamente no começo da história
no amanhã não há redenção
no passado não há identidade
e na insónia que fere a madrugada
pensamos desesperadamente em fugas
pensamos desesperadamente no oceano
mas é a primeira luz que transporta a frieza da realidade
e com ela a resignação de mais um destino inevitável
acorrentado à promessa de liberdade
debilitando os que resistem ao lento desfile do quotidiano forjado no ócio

haverá ainda espaço os que nada querem e nada têm?

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One thought on “diário da vida na terra da morte

  1. “pensamos desesperadamente em fugas
    pensamos desesperadamente no oceano”

    Algo figurado que sempre nos tira a máscara para a realidade de nós mesmos. Realmente muito realista e me faz refleti que infelizmente tantos ainda encontrarão justificativas e utilidade no nada.

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