um rasto de pó

não são só as casas que ficam vazias
nem os pensamentos que nos prendem
não confundas a solidão com o silêncio
nem o tempo com tudo

é o vento que inquieta o mundo
torna-o temente do amanhã
a dívida dos desesperados deposita-os nos braços de deus
os outros sucumbem entre si
e por mais próxima que seja a deriva
jamais nos tocaremos,
refúgio que se forja nas palavras
até que o bafo quente da morte repouse sobre os ombros
a vida é a espera por alguém
na falsa alegria das noites
e no fim? só resta a nudez, nunca a redenção

o crime não alcança salvação sem culpa
sangue derrama-se
sem honra
para almas errantes como nós deixando um rasto de pó sob a violência do meio-dia

ninguém te avisou que depois de todas as coisas
a terra permanecerá/imperturbável?
as civilizações crescerão/imperturbáveis?
então, não temas cada anoitecer como um túmulo
o paraíso arde hà muito
os homens pecam na devoção da fábula
e a nós, empedernidas e cépticas criaturas, nenhuma derrota foi inflingida
pois nada havia para ser perdido

rende-te.comigo.ao palpitante vácuo

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2 thoughts on “um rasto de pó

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