o chamamento

ontem decidimos queimar tudo o que amaramos até então
tornar-mo-nos forasteiros
dormir sob os sinos das igrejas desertas
– “porque tens tanta pressa?”

mas não há respostas,
há vezes em que há perguntas
outras vezes nada-vazio
gavetas cheias de recordações apagadas da memória,
que nos chamem espíritos perdidos
como o profeta que vageou 21 dias
entretanto os amigos estão longe e família morre
e amanhã pode ser o dia em que não vês o sol
sob roupas andrajosas e fétidas
o alimento é a prisão dos comuns mortais
e não há duas pessoas iguais

no dia seguinte cortaremos o cabelo
para oferecer a pele a todos os males que o vento consigo carrega
os mortos nada mais são do que as partículas que respiramos
– hoje que te sentes como verão –
a luz amarela que brilha
a luz amarela que inunda o cinzento à nossa volta
para que a cidade morta renasça e seja nossa
tanto quanto o canto do rio que conhecemos há séculos
e quantas vezes não fomos nós a tempestade que incendiou os homens cabisbaixos
invocando a sua alma guerreira?

agora que tudo isso ficou para trás porque nos herdámos um ao outro
resta o chamamento da serpente

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