um novo dia

as ruas mergulhadas na penumbra afundam-se em silêncio
palavras inúteis se levo na mão a tua sombra/carrego o desejo como uma cruz por todas as nações
a nudez como tatuagens na mente aprisionada
tempos houve em que fomos velhos mas agora que atingimos finalmente a juventude
tudo parece cada vez mais o mesmo
morte que nos corteja como um pretendente
branquia a pele liquefaz a alma
todos vagueiam perdidos no caos desencontrados com a carne em chamas

PARA TI UM NOVO DIA!
uma nova oportunidade de repetir os mesmos erros
não temas a manhã pois ela traz consigo a promessa
poderemos então amar-nos novamente
frescos como a água que corre belos como os vagarosos deuses puros como a infância
e no dia em que o amor se consumir?
estivemos aqui demasiado tempo

não abandones já o deserto da palavra
nele se encontra a verdade quando os teus olhos são a única luz que guia
os extraviados nos campos e nos terreiros
talvez a salvação se encontre no desconhecido que herdarmos da vida

se deixares o sol
erguer-se……………….lentamente………….
conduzir as pálpebras
esticar cada músculo como um ramo
respirar profundamente como as marés às ordens das luas
serás tu quem ritma e molda os sequiosos
como os grandes imperadores outrora

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o chamamento

ontem decidimos queimar tudo o que amaramos até então
tornar-mo-nos forasteiros
dormir sob os sinos das igrejas desertas
– “porque tens tanta pressa?”

mas não há respostas,
há vezes em que há perguntas
outras vezes nada-vazio
gavetas cheias de recordações apagadas da memória,
que nos chamem espíritos perdidos
como o profeta que vageou 21 dias
entretanto os amigos estão longe e família morre
e amanhã pode ser o dia em que não vês o sol
sob roupas andrajosas e fétidas
o alimento é a prisão dos comuns mortais
e não há duas pessoas iguais

no dia seguinte cortaremos o cabelo
para oferecer a pele a todos os males que o vento consigo carrega
os mortos nada mais são do que as partículas que respiramos
– hoje que te sentes como verão –
a luz amarela que brilha
a luz amarela que inunda o cinzento à nossa volta
para que a cidade morta renasça e seja nossa
tanto quanto o canto do rio que conhecemos há séculos
e quantas vezes não fomos nós a tempestade que incendiou os homens cabisbaixos
invocando a sua alma guerreira?

agora que tudo isso ficou para trás porque nos herdámos um ao outro
resta o chamamento da serpente