motins

fumo no horizonte
arde o futuro reflectido nos teus olhos indiferentes
crianças espalham alegria
cães em busca de comida
as bestas percorrem as largas avenidas com os donos:
homens no alto das torres envidraçadas protegidos do ruido e do toque
contemplam o seu esmagador império

outrora abrigo, esta casa fez-se prisão
outrora objecto de desejo, este corpo fez-se monumento à fome
foi tão bom antes de sermos acorrentados à erosão temporal
consumindo-nos tão sofregamente como ao novo mundo
sabemos agora a verdade
sofremos agora a verdade
depois da demanda incessante
nunca corajosos nunca curiosos
amamo-nos agora neste beco sem saída que ajudámos a erguer
todos os dias com a brandura dos gestos e a suavidade da pele

eu sei que os sonhos perecem senão o que seria de tudo o que fizémos?
eu sei que os sonhos perecem senão o que seria de tudo o que fomos?
às vezes com a coragem de ser diferente
beber loucamente e deitar-mo-nos com desconhecidos
a razão como morte da alma
que a tua não sucumba!
contaminando o mundo
com essa oração sensual

que sintam quantos motins contem um tímido toque no momento certo

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