enquanto nos sentirmos vivos é porque realmente o estamos

temos que deixar novamente o sagrado leito onde os sonhos foram sepultados:

a relva fria gotejante dobra sob os passos quebrados pela engrenagem que tudo mutila
repetindo repetindo repetindo repetindo repetindo repetindo
até à loucura
espantoso é que a verdade exista
por entre a neblina que nos envolve fria e desconfortável
porque razão aqui estamos?

para despedaçar a carne dos corpos espalhados pelas gigantescas estruturas
matéria espelhada grandiosamente pelas catedrais
já nada é sagrado
já nada é belo
já nada é virgem
e a meia-noite assombra os minutos
na desesperada dança do rebanho
pelas estradas intercontinentais

as máquinas descarregam almas em exercícios de submissão
fazendo fila aos pés dos ídolos
cada um de nós-assassino sorrateiro
morte que surge como visãodeslumbranteinesperada
furtando a segurança

poderia contar lendas extraordinárias de excesso e guerra
mas temo pelo futuro
quando o presente é assim tão frágil/1000 budas sinistros aguardam-nos nas trevas
a terra precisa de nós como nós precisamos da terra que precisa de nós
nocturno milagre de embriaguez num perfeito amoroso momento

recolhe as tuas frases aborrecidas as metas os objectivos
a humanidade não foi feita para obedecer
conspurcação que viola a sua santidade

enquanto nos sentirmos vivos é porque realmente o estamos

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s