recordem o passado/queimem-no de imediato

a manhã eleva-se sobre nós como uma promessa há muito por cumprir
raparigas correm apressadas de volta para a fantasia
a noite devolve ainda as almas perdidas
ao som do velho que toca canções apocalípticas
a multidão escorre como demónios para as artérias da capital
quando a estrada resplandece sob o peso do sol crescente

todos os momentos morres um pouco
deixando resquícios de pele no ar
a busca interminável nas dúvidas
nos gestos perdidos
cidade labiríntica que te digere nas entranhas
enfraquecendo
até confundir amor com vício
vício com amor
sempre escravos de alguém
alguém sempre nosso escravo
ouve o ardor nas vozes dos que passam
a sua carne não chega a ferver

recordem o passado/queimem-no de imediato
o amo continua a chicotear as bestas
e elas obedecem
a rotina precisa de ser interrompida
o sangue tem de correr nas ruas
os estranhos que se amem
jamais abandonando a festa
para combater cada dia em embriaguez

NÃO DEVEMOS NADA!
NÃO TEMAMOS NADA!

os irmãos reúnem-se tresmalhados
mas a palavra é fraca
o prazer enterrado sob a fabricação da realidade
quem será o primeiro bravo homem a penetrar a desconhecida dimensão,
nação herdeira dos descobridores
afunda-se em burguesia
recordem o passado/queimem-no de imediato
a morte é maior honra do que a serventia dourada

poderá não haver outra manhã assim tão gloriosa

 

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