desmembramento

jogo da solidão próximo das torres espelhadas/quando o vento assobia desordenando os cabelos alinhados
deixaste envelhecer a cidade
ela não nos acompanha mais nas distantes memórias
perdemos a sua posse

o fogo que já não arde os corpos que já não se desejam
falta-nos um sítio secreto como a juventude agora
que as árvores desfalecem distanciam-nos as paredes

e o que queremos? é um novo dia.

o tempo para o observar celebrando os erros que nos trouxeram aqui
a magia escassa das palavras que ainda incendeia os corações
enquanto nos separamos podemos perder-nos lentamente
mesmo que grave na carne
…cada detalhe…da tua…

o tempo?
é a fúria do oceano que nos dilacera lânguido-e-sádico
com urgência surgem as noites
porque não queremos que o sono vença. novamente.
encarcerando-nos até à manhã
do cais e dos bancos ainda húmidos
e dos autocarros que enchem de fumo as frias ruas
que já foram puras
ainda temos aquele momento em que o sol
(rasteiro)
branqueia todas as coisas
obrigando-nos a fitar o chão

mais alguns beijos
mais algumas despedidas
e eis a hora de partir para o novo dia
suando
pelo momento de parca liberdade que surgirá eventualmente
e então, incrédulos, observar-nos-emos,
sem saber que destino lhe dar
para que tenha significado
para que perdure

a solidão enterar-nos-á novamente

 

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