animais insaciáveis

a madrugada recebe-nos no ventre como crias
memórias de neon na pele
o suave desfile das criaturas que vira costas à cidade em direcção ao sonho do crepúsculo dourado
encontramo-nos
mas há falhas no nosso corpo partilhado
escravos do ecrã
esmorecemos na respiração
as folhas afastam-se dos pés
encerrados na prisão do pensamento que forma labirintos perfeitos

a liberdade do interior que nunca se atinge
SANGRA!
para purificar
abandonando os velhos ídolos
não mais sucumbir ao vício!

a chuva que endeusa as mulheres com que os homens fantasiam, orgulhosos
encostados ao reluzente metal
a lua que cresce, hipnotizando-nos quando entras na noite (…comigo)

somos
animais insaciáveis na procura de vingança
contra o ócio das semanas
QUEREMOS A MORTE!
QUEREMOS O CAOS!

os teus olhos encerram continentes perdidos
chamas que consomem os arquipélagos envelhecidos e viciados
os cabelos agora molhados ondulam
as botas reluzentes desfiladeiro dentro
brilham como almas fantasmagóricas
animadas pelo púrpura do céu

a pureza é somente isto:
o ar gélido na pele nua
o toque quente da carne
a simplicidade de existir
de que só nos lembramos quando tudo está perdido

não seguir mais a multidão
as vitórias não são mais do que a coroa dos deserdados
é a terra o nosso novo lar
habitação sem amarras
até escorrer como um oceano poderoso
AGIGANTAR-NOS-EMOS

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