Precisamos de sangrar para nos mantermos vivos

a morte do entardecer insinua-se por entre as torres que cercam as grandes vias e
logo seremos engolidos pelo inverno
eis que a pele se esconde/motores rugem entre o fumo matinal
nasces qual aparição no frio do novo dia em que desfalecem crianças na neblina e os dias se arrastam infinitamente

quem deixou o silêncio desfalecer? ele que era a única salvação possível!

gente-sem-nada fuma encostado às portas dos cafés
jovens desgastam-se
solitários demónios anseiam pelos encontros na noite:
– Precisamos de sangrar para nos mantermos vivos
dizem os que já estão mortos
e nós roubamos horas ao sono para as depositar como coroas de flores a seus pés
a fim de sermos mais do que meros sobreviventes agora que
os túmulos proliferam lá fora
as doenças infectam aqueles que se alimentam de ilusões

o nosso tempo esteve sempre contado
a verdade esteve sempre ao nosso alcance
mas qual de nós abrirá o peito para a acolher?
qual de entre nós a espalhará pelas ruas como uma febre
à imagem dos mais loucos profetas?

a solidão infectada de medo faz suar a carne
beleza plástica/respiração artificial/fardas dos guardiões/a idolatria
contemplem a semi-nudez baloiçando-se frente a nossos olhos
quem não a quer ser ou possuir?

as púpilas nunca se dilatam tanto como antes de fechar definitivamente

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