transmutação

os homens descobriram o corpo no mesmo dia em que o perderam na suave melancolia das nuvens
grito nas praias desertas do inverno atraindo a chuva sobre os bandos de gaivotas
e sei que o nosso tempo se esgota pensando no que não foi dito

enquanto que quem encontrou os seus viaja para a costa no momento em que as estrelas se consomem e o céu arde
montando os corceis de fogo em busca de novos mundos abandonando as casas em ruínas, não é só a madeira que apodrece
sem posses na terra dos deserdados

“o que precisamos agora é dum começo e se tudo o resto falhar abraçaremos o abismo como nas velhas cantigas”

viajando na vã busca da perfeição recordando a longa infância perdida em estradas, não nos destinos
o doce rugir mecânico despe-nos do frio aço da realidade e o rádio canta sobre a paisagem arrastada os pobres rumam para sul os ricos banqueteiam-se das almas alheias e o que resta da humanidade incha de esperança emprestada pelas lendas

há sempre o dia em que tudo muda e deixaremos de ser quem fomos para ser o vácuo o nada o vazio e a fé cosida sob a pele para que haja uma hipótese de ascender aos céus se a nossa vez chegar deus acusar-nos-á de ser as putas cobardes e egoistas que sempre fomos

era a verdade aquilo que todos ambicionavam?

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s