Prece/Vácuo

decadência que se inicia com o primeiro fôlego e eis que a estrada resplandece e prolonga-se
mas termina também
quantos mais dias assim existirão?

encontro as almas perdidas que choram por um lar
e no mesmo dia em que percebemos ser nós os errantes a terra transfigura-se
como um corcel selvagem e temerário em direcção ao seu fim,
nós que montamos o seu dorso calejado
atravessando aldeias perdidas do interior montanhas a norte encostas solitárias no silencioso litoral desertos a sul

no recanto obscuro do sonho de suado despertar ambos sabemos não fazer diferença o local
envelhecemos alguns anos na cidade inalterada de cúpulas envidraçadas
e as raparigas de cristal por quem os homens suspiram como o redentor pelo sacríficio não nos podem salvar
nós sabêmo-lo

oh deuses das auto-estradas
por mais demente que seja a nossa cruzada pelas vossas veias
o tempo é a senhoria que nos sustém no abismo
mas a cada nova revelação
(como na primeira vez)
o sol nos acaricia primeiro o topo das mais altas estruturas
glorificando-nos finalmente com o seu brando toque
a memória torna-se um membro falecido
livramo-nos de marcas e chagas
para que representemos a doce infância
no teatro da multidão que ruge aos ouvidos de cada vítima
e cada novo passo é a subtracção duma respiração

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