Auto-da-fé

a trágica hora do retorno assombra os passos resistentes
quantos minutos passaram desde a revolta do animal?

quando os dias diminuem aceleramos pelas estradas secundárias do país deserto
sangrando porque a monotonia vencerá
sangrando porque assim a vida ferve
os nossos corpos exigem:
1) o amor dos ausentes
2) o tempo dos abandonados
3) a visão de um deus vingativo que pernoita preguiçosamente sobre os seus louros e na nossa escura cruz que preenche a sala

os pequenos animais agitam o império
a nudez liberta-nos da aliança forçada com o desconhecido
o amanhã nasce no fim desta noite receberemos ainda o sol com o fulgor dos renascidos / o dia com a força das novas criaturas flutuando a oriente

eis que o primeiro carro corrompe a magia que sobrou do passado e é então que
a maquinaria nos embrulha nas entranhas satânicas até ao sepulcral silêncio inatingível
porque somos ainda os mesmos andrajosos e foragidos seres
somos ainda os mesmos urros desperantes ardendo em direcção a uma qualquer saída
aquele que vencer o momento que se chegue à frente para liderar as massas em direcção à terra prometida

– Não! Basta de promessas, queremos a verdade antes que a idade nos despoje da juventude e da força, antes que a gravidade nos roube a beleza, antes que a ambição nos roube o poder

AGORA!

 

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