em direcção ao fim da noite

deleite na culpa
prazer nos sentidos

bandeiras desfraldadas ardem como deviam fazer as nações
empobrecemos envelhecemos inimigamo-nos e quem se esqueceu de nós?
tornámo-nos indiferentes à natureza do tempo mas são as mãos que nos seguram são as mãos que tudo comandam viciados na facilidade do sentido
que se dispam no chão as massas
que fodam e defequem expondo a bestialidade encerrada nos cadáveres ambulantes
que o sangue seja prova de vida

a adoração nos gestos levar-nos-á além fronteira cansados da disciplina que furta a jovialidade dos vivos
este é o momento de enfrentar o abismo este é o momento de escutar a serpente que carrega o conhecimento
o eden murchou quando a humanidade perdeu o caminho

“-qual caminho?” – pergunta uma voz mas todos suam em delírio e frenesim na doce demência perdendo-se a resposta no coro de gemidos e sussurros
felizmente é tarde, tarde demais para arrependimentos
se o deus é colérico e vingativo: ou ansiamos a vingança ou que se junte a nós como as anciâs divindades belas e decadentes e “o que esperas de tudo isto?”

a esperança falece e dá lugar ao vazio a dúvida e o medo inflamam a ode ao excesso – escolham uma criatura e cavalguem-na em direcção ao fim da noite pois do outro lado encontrarão a verdade

alguém se adianta, para ser o primeiro a partir

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