Prefiro arder

visões assombram-nos enquanto despertos nas auto-estradas que rasgam os continentes como lanças e as mulheres sangram terra dentro
labirínticos fins de semana no excesso nocturno com putas mal amadas que se afundam no cheiro da esperança enquanto os animais escondidos nos gabinetes engordam moribundos

alguém trará boas novas? ou dividir-nos-emos até à dilaceração?

aqueles que possuem o dom da palavra que incendeiem as mórbidas massas encarceradas na casa dos espelhos onde os neons são os fantasmas dos ossos do desejo e o sol não mais purifica
os assassinos galopam sorrateiramente pela cidade enquanto admiramos o seu poder

quando irá esta masmorra ruir?

o coração colectivo crepita mas não bate em uníssuno:
mais uma aurora menos uma aurora mais uma aurora menos uma aurora mais uma aurora menos uma aurora
as bombas-relógio que tocam dentro de nós os filhos que morrem os anciões que envelhecem junto com a história
ao menos agora o poder está nas nossas mãos, inconscientes e cobardes, enquanto se descarnam emagrecem e secam até que os amantes se iludam na escuridão

prefiro queimar do que desvanecer
prefiro queimar do que desvanecer
prefiro queimar do que desvanecer

prefiro o esquecimento

prefiro o fogo prefiro o esquecimento prefiro queimar do que desvanecer prefiro o esquecimento

e no tempo que resta visitaremos o amnésico novo mundo condenado à urgência do imediato prazer terreno

prefiro arder prefiro arder

PREFIRO ARDER

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