transição


a penumbra cobre lânguidamente os destroços duma jornada e o véu de corpos celestes nasce silenciosamente como quem promete a eternidade
a nossa carne é a verdade e encerra velhas almas perdidas em busca de companhia
os nossos ossos são a verdade carregam marcas de chagas passadas
e o universo é transitório no teu toque no meu toque em todos os toques ou nos frios imperadores das nações de pedra que comandam o teatro de guerra enquanto os deserdados se amam nos pequenos quartos abafados em busca dum relampejo de imensidão, HOJE devaneiam pelos hoteis e bares desesperados por uma só palavra de conforto
agora que fomos cristalizados e esmoreceu o fogo capaz de encarnar a última juventude
abandonamos os vestígios dos cárceres modernos com os carrascos a gritar ainda no nosso encalço e a fronteira entre o desejo e a consumação estilhaça-se madrugada dentro na soberania trágica dos aparelhos

começa o devaneio gustativo sobre o asfalto e precisamente então as pestanas erguem-se como portões que dão acesso às masmorras e a fulgurância dos fantasmas que nos correm nas veias assombram remotas memórias da exortação noctívaga

só-e-dourada

como santos esfomeados repousando no colo das mães futuras
longinquos sombrios sorridentes naufragando perenes na animalidade

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