aparição

foi em busca da pureza que nos deparámos com o abismo
o mesmo mantra aprisionando-nos nos braços alheios
cheiro a desespero e medo no mundo moderno e aceso
embriaguez como a nova salvação
desencontros com o amor e a simplicidade carregando peste e conspurcando-nos
é hoje que negamos o sono amanhã a dívida será saldada
é hoje que negamos o somo para que haja tempo para a evasão para memorizar cada pedra da calçada cada azulejo
antes morrer de fome do que não morrer

as minhas posses? deixo-tas
o meu tempo? abandono-o ao vento para que deixe enfim de ser ditador
e casa vazia? não é mais do que uma surpreendente ruína

os profetas apoderaram-se das esquinas e das almas de quem passa
o sangue escorre de homem em homem deponham as armas e rendam-se ao
apocalipse
só não deixes que seja a esperança a ditar
a jogada dos teus exércitos
temos que tomar o poder antes
que a loucura se apodere dos nossos corpos
deixa-me decorar o teu uma derradeira vez
pois é agora que aprenderás a negação e seremos verdadeiramente extirpados do reconfortante calor uterino

o chamamento feito há muito
viro-me finalmente para compreender a insignificância do passado
quando tu ainda nem nasceste

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s