titã

a cabeça meneando embalada na sonolência
ossos que estalam
“nada reconheço”
aqui é a luz que tudo transforma
a noção do tempo transviou-se
nem o ruído surge

com os músculos cansados e sentimentos disformes
por entre gargantas secas
a cidade foi desertada
excepto por alguns tranquilos amigos
onde podemos repousar
morreu a semana que terminou
e morre também a seguinte
por o céu ameaçar desabar
não parece existir pressa
não há sombras para distrair
ou para serem temidas

não há onde sermos nós mesmos
o tempo ameaça mudar
há frio agora
o corpo treme
não te desejo mas não te desisto
de fundir-me aqui como que
sem regresso sem partida
mas o doentio jogo
como que nos sentimos absurdamente
oferece esporádica insensível felicidade

contempla-se a mudez do mar
onde se encontra o momento de definição?
conduzes pelo choque e elevas em espanto
súbito acordar pelo quebrar dum galho
sem criminoso presente
nada me sobreviverá
porque nada sobrevive sem mim
não há manhã que não chegue
indesejada e temida
e tudo se torna tédio
sem o que vencer
sómente a repetição moribunda
ciclo histórico ócio celular
que jamais serão afectados
por objecto algum
correr na esperança de passe
como o passado antes da luz
trevas que marcaram o mundo
verdadeiro e agonizante
brilho que oferece visão
sem tacto real
sem a bravura dos navegadores
desbravando caminho pelo baixo-ventre da terra
estagnamos voluntáriamente no conforto uterino do cárcere

não tu, vai, sê grande

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