quase

o ontem entrelaçou-se no hoje
não nos reencontrámos
agora que está frio acentua-se o isolamento
o sol brilha mas não para nós
paredes mais cinzentas desmoronando-se

sem saber o que esperar, esperamos
esquecemos tantas palavras
que já tiveram o poder de cimentar revoluções
quando a juventude era perdição
e a dor poesia
fome criativa empurrando-nos para a fronteira do engenho

a sombra que oscila
cobre e descobre
sem nada revelar
o vento que levanta a poeira
a poeira que somos nós
e não existem actos grandiosos
não existem actos irremediáveis
não haverá como sentir a falta
porque resistiremos ainda que
na forma de partículas
sem perceber os dias que correm
o oxigénio penetrando automatizado
e os escravos da possessão
QUEREM MAIS

querem sempre mais
degraus para o abismo
não há o que oferecer
não há como o possuir
só temos estes preciosos segundos
em que nos beijamos
ou que o comboio passa
isso partilhamos diáriamente
sorrindo quando se abate a solidão
ou sendo invencíveis
porque somos fracos
como uma projecção
que se descasca até ao medo
aproxima-te pois tudo é escuro
aproxima-te pois tudo é breve

aproxima-te só mais um pouco
pois tudo será vingança
aproxima-te só mais um pouco
para que me ensines a amar o vazio
aproxima-te só mais um pouco
e partilha comigo
ou nada terá valido a pena

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