compassado

sob o céu cinzento
os passáros planam em semi-circulos semi-perfeitos
as semanas esgotam-se urgentes e sufocantes
no desespero de mais
e todas as manhãs frias
atira-se água suja para os esgotos
a cidade incha sob a égide da transfiguração
fervilha de acção no movimento de união
não esmoreças mesmo que tudo passe por ti sem o agarrares
como num casulo funcionando-ecrã sobre os que partem

o céu torna-se púrpura
e o chão manchado das luzes amarelecidas
e as folhas que caem e eis que tudo se altera novamente

a hora é sonolenta esfregas os olhos como num sonho
sem a violência do despertar
e o vento súbito varrendo tudo como uma besta num filme antigo
toda a gente sem aparecer
os carros sem se ver
formam o som constante de uma urna
coça a pele em incredibilidade qual prisioneiro na espera letal

marcha lenta sem memória

e passa pelo chão restolhoando para te saberes vivo
atrás dos olhos omissão e terras por descobrir
o incompreendido e inconcretizável desejo de pura selvajaria
chove e já não se percebem as formas
ou visitam-se os locais subterrâneos
não percas o que já foste
não sejas o que já foste
as mesmas armadilhas
os mesmos receios
em poucas horas

ferro batido
caixotes oscilantes no chão
passamos de mãos presas
por aí e pelas baixas portadas
aqui não se conhece nada
não somos petrificados nos preconceitos

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s