brecha

antenas que irrompem do solo como o ameaçador eco do vento ao longo deste chão seco sedento de oferendas
uma mãe pronta a acolher as bandeiras da discórdia sem vergonha como o soldado gasta o soldo sem culpa em jactos premeditados que mantêm as coisas no mesmo lugar

os deuses antigos são já poeira da mente envolta em ócio
o corpo também é um desconhecido mas não o que se procura
queremos também um corpo!
desconhecido, onde se possa repousar ou, cedendo ao desespero, violentar

escuta só esse impulso de destruição
belo e irascível
que ainda não aprendemos a canalizar
a deixar fluir e moldar o planeta à maneira singular do caos,
a não ser em pequenos actos que geram arrependimento,
conseguimos uma pequena amostra de monumento
e agora que as horas são felizmente vãs
entregamos o tempo à preguiça
com os companheiros igualmente derrotados
pois é esse o único modo de escapar à doença
tresloucadamente ou num qualquer vislumbre de loucura
onde se possa renascer

só queremos o tempo que já azedou
ser Mestres do Sono
madrugar nos cafés por popular
pernoitar nos bares abandonados

somos o Sol lânguido
para poder desertar da pressa que nos foi tatuada na mente
mas não havendo como nem onde
e quando tudo se vende empacotado
tudo existe em abundância
as lutas que se tornaram tão irrisórias
que achamos poder reescrever a morte
mas contemplando o calor doce lá fora
percebemos que
nada existe que não tenha já sido derrotado perante algo

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