servidão

como se fosses uma ampla e vazia planície
estica-te a meu lado
cada segundo uma nova paixão balançando no risco balançando na surpresa
a minha pele envelhece sem mim
arrasto-me para o mesmo café para as mesmas conversas
como se fosse uma tatuagem antiga

hoje é um novo dia
há que dizer algo novo
para não se morrer já
há que ver as coisas com novos olhos
para não se morrer já
porque a doença não te atingirá assim
porque a separação não nos rasgará assim
ainda que a independência seja um farol nas trevas,
ninguém deve ser escutado quando ainda existem tantos segredos por saber

derrotarás algo para saborear a falsa imortalidade
repetindo então tão azedas banalidades que nem a embriaguez nos elevará mais,
soframos antes o vácuo onde podemos ser a madrugada
e a lua reflectidos na placidez dos lagos
desmembra o passado recorda o passado
libertando o corpo da prisão de desejo e dor

invejámos a imutabilidade até a saber ilusão porque tudo é dança-da-matéria corrupio anárquico
obsoletos significados imputados à linguagem e quem se pode rever nesta assembleia de carne? no sangue ou nas veias?

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s