apneia

cercados pela noite cerrada
irreconhecíveis e acima de tudo importantes
há que nos alimentar ou então sucumbir
erguermo-nos nos prazeres básicos
possuíres-me primordialmente esquecendo esta falsa evolução e
rebentando em bestialidade

sustem comigo a respiração
agora que todas os astros cintilam
como o bafo do sonho e o seu corpo quente
talvez consigamos que nada mude ou talvez consigamos que tudo mude
uma revolução menor como quando
retornas a um sítio depois de uma longa ausência
e a tua memória é destruída pela realidade como se fosse uma mera cortina de sono

não fiques à espera de liberdade
pois só chega com a dor
invade o ser da mesma forma que os operários invadem os bordéis
ou como eu te invado nas trevas do desejo impronunciável
nada faças à espera do seu fim
porque cada fim é corrosão e vicio
e mais uma queda para nós,
habitantes do abismo
não procures a compreensão
desfruta o véu de estrelas
projecta-te em quantos cumes conheceres,
mesmo quando tudo é desespero
a tua força estará na certeza
de que nada é real
e todo o sofrimento é sob a carne
mas não no sangue
só tens que naufragar ao sabor da beleza do átomo

resiste e vingaremos!
mas não temas a solidão
ela é oca e parte-se

teremos o renascimento
senão podes sempre descer a avenida mais movimentada de todas

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