Ainda

através da parede os operários gritam assumindo a engrenagem
camiões descarregam uma outra realidade despindo o lugar de abandono quando as ervas subjugadas pelos passos são disso a evidência

a ribeira que ainda tem o mesmo curso recebe por vezes um breve relampejo do sol enquanto o trabalho prossegue como um hércules metalizado como o teu corpo marejado como a janela que nos provoca com o mundo intocável e sem prejuízo sobretudo nos dias em que tudo é curto e os beijos são tão escassos como a comida que os cães vasculham mato dentro

na hora de jantar não comemos na hora de dormir não dormimos desfalecendo como a entrega pura sob a luz imaginando slogans ou despindo clichês  até quando nada nos agrada as coisas são cruas e reais demais para nos amarmos e os anos que devemos ao sono e o dinheiro que não temos?

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