Rotações

as máquinas são o império que circunda todo o sítio onde vamos
periferia ruidosa e imparável avançando por entre os espaços
mas há calor suficiente para sorrir e beber na esplanada perto da barraca de madeira
mesmo que o sorriso seja engrenagem e o momento desesperante pois
em breve a noite sufocará tudo e não mais nos reconheceremos

tão perto da loucura estéril
tão presos à espera e à esperança vã
nos futuros que não germinam
sentados de costas voltadas
respirar-maquinal torneados por terra e tijolo
sem sentir o desejo do corpo sucumbimos
aos malefícios do mesmo modo que redesenhamos olhares
em obsessões até serem estas a única matriz

os edifícios que nos acolhem no ventre insistem na permanência
e nós na brevidade, só conseguimos esquecer
por aqui tudo ser imutável
tudo menos tu
retrato empobrecido de tudo o que foi habitado,
aspirar do fumo do cigarro
luz pontual dos candeeiros amarelados
palavras entarameladas
beleza da toxicidade
violência da paixão

os ruídos cessam e aparentemente tudo se altera
mas o vento assobia frio
os mortos não se erguem das tumbas
ainda somos os mesmos
o velho mundo exerce o seu magnetismo
mantendo-nos na sua teia
com a nossa subserviência,
só não possuímos tudo o que se passa ao longe
a menos que se encontre
nos ecras distribuidos a cada quatro paredes

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