Asfixia

Floresce
uma espécie de silêncio
cercado por montanhas
intransitáveis e inatingíveis
enrolando areia
sob os pés
numa monotonia repetitiva
de uma mesma infinita paisagem
zunindo como electricidade
até se perder no som
sempre presente
no espaço alongado
esticado como um ventre
de um qualquer gigante
de pedra castanha
todos os tons todos os tamanhos
ocasionalmente
subindo em espiral e enrodilhando-se
uma melodia,
como hera enforcando
o zunido do silêncio

o sufocar
até no aperto da morte
o sufocar
até no aperto da morte
até no aperto da morte
o sufocar

ritmo de passos
sobre cascalho
variando
4X4
2X2
dançando como serpentes hipnotizadas
estão longas togas brancas
ao sabor de uma caprichosa subtil brisa,
pontualmente irrompem
aldeias de madeira e
cidades esculpidas na pedra
divinas marcadas como
berços civilizacionais
até agora ignorantes
do desperdício da arrogância da futilidade
dos últimos milénios
contabilizados de uma
qualquer semelhante e anónima cidade
um deserto não temerário
face à prepotência
oferece apenas o seu dorso
aos humildes
engolindo os vestígios
de qualquer caravana anterior
ou
rolando sobre si
esmaga esporadicamente sedentários monumentos
reside
no olho das tempestades
uma calma digestiva enganadora
como que uma miragem
sustentada por desejos febris
um portentoso imbatível desgastante
oceano,
uma movida de pequenas e fracas formas de grão
movimentando-se em acusação
à passagem das eternidades

ampulheta em mão de deus

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