sonos

Aleatórios amontoados aleatórios

de camas e de cruzes
de nudez e desgrenho
a paredes brancas
janelas pregadas
e mirrados animais,
o ruído da alegria
sobrevive longe
perdido nos gemidos
cheirando a fármacos
e entre o infernal calor
dum quarto sem saída
de histórias e trocas
das marcas de guerra
lá onde olhos descansam
com nocturnas pálpebras
lá onde bocas se abrem
como peixes no anzol
lá onde se deita de dormir
lá onde se deita de abrir
lá onde se deixa desistir
lá onde se deita fora
lá onde se deita ao lado
chora
lá onde olhos brilhantes
olham para lá do baço
através dos restos dos corpos
das almas mutiladas
aquém e alem
duma fronteira,
dão as costas à certeza
do dia errado para breve
do virar errado na esquina breve
do incorporar a tenacidade
de um equador coslógico
das somas e valores
do deitar do deixar do comprar do ingerir
e não afundar a cabeça
na agua inquisidora do poço
biológico ao sufoco
às chamas no respirar
à febre cerebral
à puta da loucura
alastrar pelo motor
percorrer pelos veios
infectar cada artéria
alastrar como a peste de cor
de mão em mão
será um acordar sempre tardio
ou um não acordar de todo
ou um acordar para um frio
nublado inverno
ou um acordar sonâmbulo
ou um adormecer cataléptico
ou um acordar dormente
ou um dormir mais um pouco?
até um despertar abrupto
sufocante
esmagador
do dormir mais

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