O sopro

Sou
um incurável romântico
apaixonado pelo fracasso,
contra-o-mundo é
o fuel que alimenta o motor

Sou
um junkie da contrariedade na
comunidade da positivação
nas olimpíadas do consumo,
deambulando por grandiosas ruas
a promover uma ermita leitura
das fachadas e do néon
encarnando papeis que só
poderiam pertencer ao mundo
da fantasia, vou recortando
miniaturas em quadrados e excertos
de locais, momentos e seus habitantes
para compor um livro de retratos
que será o condutor
feliz e desajustadamente
pelo meio de uma inglória e
anónima forma de vida
que se vai revendo
em amor feito destruição,
na liberdade a nascer das
cinzas da norma,
no ofensivo qual elefante
que espezinha os ovos
sobre os quais
povos caminharam cuidadosamente
arrastando, oferecendo um rasto
de sangue e lágrimas
cicatrizes rasgadas na pele
grossa, mas pele
rompida por manadas
de pessoas que defendem
o inimigo como legiões
de César, bonapartianos
e SS fizeram outrora

Sou
o espião que trava guerras
pela sabotagem
e faz cair de joelhos
nações poderosas
até ao absoluto descontrole

Sou
o sopro inspirador
que se ergue de
lábios-morango
e que, assimilando partículas
enormece até ser
um ávido e esfomeado
furacão-tornado
varredor de símbolos
megalómanos e bélicos

Sou
o tão sensual excêntrico
que atrai para si
beleza e juventude
ao serviço da rebeldia
e num misto de dança e guerra
cativa e reúne as
restantes virtudes até
um gigantesco oceano de
anarquia corporal compor
milhões de humanos

Sou
o prosaico orador
num místico banquete
de poder avassalador
perdido na comida e bebida
e nas mais belas palavras trocadas
na festa feita revolução e amor
que terão as mais
libertinárias consequências
sobre a gente, até
dormirmos sob a luz das chamas
que florescem sobre
o peso dos passados

Sou
apenas um numa guerrilha elegante e
sexual que ergue armas
como segura o órgão
e deixa o cheiro a fluidos
por onde passa até a
mensagem carnal se tornar a
própria essência da vida,
sem espaço para nada mais

Sou
o que se rende a estas demências,
antes feliz na morte e
habitar um país de inexistências
do que ser incapacitado pelas básicas
oferendas corruptoras
da busca pelo inalcançável

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