Némesis

Olhos vermelhos
e corpos esguios
são dos gatos escorreitos
que carregam o
nascer da noite
e nela o renovar
dos povos
dentro duma ambição
de aventura
o ritmo de pés arrastados
com destino e
horários fixos
é substituído por
passos lestos num
desordenado caminhar
apocalíptico de
criaturas na procura,
nos antípodas do dia,
pela liberdade
experimentando nas
palavras soltas, no
sorver fumo, no
absorver néctar, em
ambientes de sinfónica
e ruidosa alegria, numa
jornada em que
as travessas se movimentam
no sentido oposto ao
das avenidas diárias, numa
jornada que não revela
o prazo antes do azul
assentar sobre o negro,
mentes lascivas na
cobiça de corpos
lânguidos suados
perdidos em si
enrolam-se no némesis
de encarcerantes automatismos
de pesados limites
de arrastadas obrigações
de se reger por oposições,
é na negação do familiar
que a liberdade se encontra
definida e num mergulho
exasperante procura-se em
vidros
de montras e
de cinzeiros e
ritmos roliços a
sempre presente sempre perdida
cadência da espontaneidade

são tantas as
derrotas que esmagam
na ilusão vitoriosa
da inconsciência de
na noite nascerem criaturas
concebidas pelo dia

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