espaços

Um perfeito e absoluto
vazio
pode existir apenas no mais
cru e nu dos desertos:
a única existência celeste
que pode conter tudo e
por aí se levanta
a nossa fantasia
na terra que é a ilha
do leite e do mel
imaculada de homens
em anónima longitude
na cacofonia mundana,
encontra-se tudo preenchido
e o vazio é um brutal,
eavassalador o abismo
um poço para mergulhar
na morte

em queda
infinita e vertiginosa
quando estamos sós
libertos das âncoras
dos sentidos nas quais
firmamos a razão

o espelho devolve-nos
melancolicamente
a distorcida e
irreconhecível
face da loucura
desgrenhada, serpentes por cabelo
boquiaberta, rebentando de trevas
esgazeada, de olhos vidrados e
recortada numa pueril
ausência de dimensão,
há que a cortejar

aquele que se derreter
pelo ramal celestial
dança no cosmos
beija as estrelas
roça constelações,
visita o antro divino
num movimento de torso
que anula restos e
acolhe a dádiva de
descortinar os fios
invisíveis e intangíveis
que ligam todas as coisas
vivas e mortas
materiais e imateriais
entre si

não mais

pertencer

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