Ùteros

Naquela noite
era o cheiro quente do sangue
que nos inundava os pulmões
e uma devota paixão
pela destruição
daí em diante
foi deslizar por dentro da capital,
masturbação pelo fogo
e passar os dedos pelas ruínas,
saboreando com a ponta da língua
coitos interrompidos e
coitos malogrados

foram tantas as visões
realizadas a cinzento e tijolo
recortadas contra o céu aberto
foi por entre as coxas
no meio da salivação e penetração
que a língua fez a
dança viva da serpente e
rebentando de paixão por nós
– laranja-fogo e encarnado-maléfico –
esculpiu-se no universo
um nosso lugar
de explícita finitude mas
os primatas que somos
existem aquém do desfrutar
o mais mundano dos prazeres
livres da culpabilidade e
condenação judaico-cristã

a madeira do teu deus apodreceu
e alimenta a minha chama
onde cabem todos os
cruzados e missionários.
a bacia do planeta
rebela-se contra nós,
suas carraças que
sugam a alma e
carpem
assassinos do ego

salvação é morrer na vida
apressemo-nos para que
ainda haja tempo de renascer
antes de sonhar o útero,
há que aprender a sonhar

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