Traição

Guardei para ti
este dia de traição

tu que reconheces a
impossibilidade da
libertação sem dor
fartos de viver
em dormência
arrancámos os grilhões
que nos amarram à terra,
deus da superfície
cabelo e dentes como
o dourado boi de Sodoma
lançámo-nos forte
contra tudo
de ponta a ponta
pelos bordeis,
da casa de putas
às putas de casa
e fazemos questão de
coleccionar todas as
histórias, cicatrizes e
doenças, retalhos de
uma manta amorosa decadente
sempre fomos traças
atraídas pelo fogo
da obscuridade
perdidos na estética
incrédulos da beleza
não parida pelo sofrimento
ou brotada do suor
e toda a que nos rodeia
é alheia, anterior
ao nosso nascimento
impossível para nós
o seu sabor, verdadeiramente
criámos assim
uma nossa tribo
com rituais nossos
segurança para abandonar
o útero em busca das
cinzas feitas pelas
chamas infernais

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2 thoughts on “Traição

  1. Gosto do ritmo do poema, gosto da mensagem. Hoje particularmente apetece-me arrancar os grilhões que me amarram à terra e partir.

    “e fazemos questão de
    coleccionar todas as
    histórias, cicatrizes e
    doenças, retalhos de
    uma manta amorosa decadente”

    Gostei muito do poema.

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