O resto de nada

O sopro nocturno
inflama palavras vivas
cor de néon
rua dentro de lábios para lábios
num toque vermelho
num toque húmido
de lábios para ouvidos
pelo bafo quente
pelo bafo seco
do segredar daqueles
que se conseguiram perder
onde todos procuram
encontrar-se

e aceleramos
arrastando as luzes
mas sempre mestres
do passar das horas
atravessando mil
novos conhecimentos
a quem dedicamos
a inconsciência do
mundo novo que nasce
quando o sol morre
e morre quando
o sol nasce
e tantas eras infindáveis
fomos nesse escuro de
sonhos voadores em que
conseguimos tocar o intocável
o jovem, novo e puro
agarrar, prender, mastigar
cuspir para o círculo
desenhado pelos corpos
deitados ao chão, tão
próximos sem no entanto
se chegarem a tocar
e essa moradia temporária
foi uma floresta encantada
de tantos minutos
o edifício foi árvore
nós infantes senhores
da floresta, em corridas
rebolando para dentro dela
fomos magia até a
luz cair sobre todos
e sobre todos os sonhos,
lhes rasgar o ventre
puxar as tripas e
sobrar apenas decadência que
junto com o vómito da mágoa
desliza calçada abaixo
já de dia para a sarjeta eis que
o mundo dos escravos e
o mundo dos mestres
descobriu-se
e de nós?

de nós sobrou apenas
ausência e fim

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