Supernova

Dançámos por esse mundo fora
dançámos por entre o lixo
os cadáveres espalhados no chão
e os que caminham
e quando parámos de dançar
vimos o que nos rodeava
fechámos os olhos
apertámo-nos mais um contra o outro
e dançámos por esse mundo fora
dançámos por mil auroras
dançámos por mil horas e lugares
dançámos até afugentar a morte
até afugentar o medo
dançámos à vista de todos
dançámos em segredo
e quando parámos de dançar
olhámos à nossa volta
mas ainda não era suficiente
por isso dançámos por esse mundo fora
sonhámos, dançámos e nunca acordámos
por tudo e todos passámos
por esse mundo fora
por entre o crepúsculo
e o amor-dos-homens
por entre mães com o fruto no ventre
o riso das crianças felizes
e quando parámos de dançar
e olhámos em nosso redor
dissemos finalmente “sim, é isto”
era mais do que o suficiente
por isso dançámos
dançámos pelo mundo dentro
e ainda hoje dançamos
pelo mundo dentro
e dançaremos

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