Abrigo

Ouve

não digas nada,
escuta comigo:
os carros lá fora
as luzes a entrarem pelas frinchas da janela
as prostitutas em cada esquina
gastas do amor
os gatos a lutarem
por não terem quem os ame
as pessoas
que dormem na rua porque ninguém se importa
a gente
com saudade de casa sem poder voltar atrás
a autoridade
que oprime o espírito humano
a verdade
que é varrida para as sarjetas
os pervertidos
espiam jovens para bater punhetas
os corações destroçados
os corações destroçados
as pessoas
a respirar morte
vendem a vida e deixam as sobras
nos transportes, nas compras
a insanidade a crescer a cada minuto
as doenças a aumentar
o amor a diminuir

ouve
não estás contente de estar aqui deitada comigo?

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