Não ao futuro

Anjos com as asas
manchadas de sangue
empunham forquilhas
também elas manchadas
de sangue, e esventram
cadáveres que julgam
ainda estar vivos

a vida corre depressa
para lado nenhum e nós
corremos mais depressa
do que ela, dentro de
garrafas de whiskey
cigarros de haxixe e
amores perdidos em
noites escuras iluminadas
por uma estranha luz que
vem de dentro do
nosso demoníaco ser

para todo o lado que
olhamos o sol brilha
sopra uma leve brisa
de verão e toda a gente
é bela e sorri feliz
mas ainda assim vemos
o caos e a destruição
como se o mundo fosse
o nosso espelho interior e
só nos apercebemos da sua existência
quando o quebramos sem
nunca verdadeiramente lhe
tocar,  sentimos o
sangue a escorrer pelos
nossos lábios feridos de
todos os beijos perdidos que
distribuímos mundo fora

um coração quebrado e ensanguentado
vale mais do que um coração imaculado
sirvam outra rodada de destruição
porque o fim está no beco sem saída
que passamos o tempo a evitar
amamos o prazer na mesma medida
em que amamos o deboche e
a decadência, porque são faces
da mesma moeda que cai
eternamente sobre face nenhuma

não há futuro
não ao futuro

não há futuro
não ao futuro

viver rápido
morrer devagar
o tempo que não passa e
por isso anestesiamos
os sentidos face aos
ponteiros do relógio

somos todos estrelas cadentes a quem só a queda salva

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s