Sussuros

Florestas de gente
muda e cega na vontade
são ceifadas pelos céus,
à mão de máquinas-anjo
que drenam o sangue
durante a duração de
um murmúrio hipnótico
e de variação subtil
oferecido pelo tempo,
uma imitação de silêncio
cheio de som

esse som reagrupa-se
quebra cristal
defeca diamantes
disforma formas
estende terras
estende mares
foi um dia de graça
gasto em simplórios
prazeres
fomos capazes de
desenhar nossas asas
esculpir nossos corpos
foder na mente colectiva
o berro e o gemido
de seis biliões de
orgasmos que poderiam
enternecer os deuses,
poderiam amar-nos
sem sabermos amar nada
cidades poderiam
fundir-se com os mares
vales e montanhas
á imagem do torso da fêmea,
deitarmo-nos à rua
embrulharmo-nos na
manta cósmica

Possuímos tantas
e múltiplas infinitudes,
ecoaria por tantos
e tão vastos universos
o nosso

s
u
s
s
u
r
r
o

em todos os ouvidos,
como a língua-mãe
fecunda com palavras
o ouvido da cria
mas não soubemos
acreditar e receber
um amor que se apresenta
sem formas definidas,
que se oferece num
vestido de morte e dor,
fugimos-gatos e
fundámos uma guerra,
guerra para sempre,
numa cama que lemos
leito de morte

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